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O primeiro Dia das Mães: a espera que se transformou em amor multiplicado

Famílias têm em comum a comemoração do seu primeiro Dia das Mães com seus filhos    O sonho da maternidade pode nascer de muitas formas – e, às vezes, ele acha seu caminho no encontro entre histórias que estavam destinadas a se cruzar. Foi assim com Marinalva Macedo Gomes Velasco e Diego Bruno Velasco, de 41 anos, que decidiram trilhar o caminho da adoção e viram suas vidas se transformarem ao acolherem um casal de gêmeos. Neste Dia das Mães, comemorado no domingo, 10 de maio, a trajetória de Marinalva revela que o amor não depende de laços biológicos, mas da escolha diária de cuidar, proteger e construir vínculos. A história também evidencia a importância do processo de adoção e o papel do Judiciário na garantia do direito de crianças à convivência familiar. Durante seis anos, Marinalva aprendeu a esperar com o coração aberto. Entre expectativas e sonhos cuidadosamente registrados em um diário, ela não sabia exatamente quando, nem como a maternidade chegaria, até que, em um telefonema inesperado – no dia 24 de junho de 2025, Dia de São João, do qual é devota – a vida finalmente respondeu. Do outro lado da linha, a notícia que tanto esperava veio em dose dupla: dois bebês, de quase três meses, a aguardavam. E aguardavam mesmo. Antes dela, os irmãos foram oferecidos para outras seis famílias, que, por motivos persos, não os aceitaram. A ligação representou mais do que o fim de uma espera, foi o início de uma nova vida. Juntos há 17 anos e casados há 11, Marinalva e Diego passaram por muitos percalços até conhecerem os filhos: uma gestação interrompida em 2017, a pandemia da Covid-19 e a morte da mãe de Marinalva, em 2024. “Depois da perda da gestação, não tinha mais condições físicas nem emocionais. Foi aí, com muita sensibilidade, que o Diego disse: “deve ser porque a sua gestação deveria ser diferente”. Falo que passamos por uma gestação longa, de seis anos, que atravessou a pandemia. Iniciamos o processo em 2019 e, logo depois, o mundo parou e as incertezas vieram. Éramos um pai e uma mãe em espera”, relembrou. O primeiro encontro do casal com as crianças aconteceu no dia 1º de julho de 2025 e o sentimento não parecia ser de um começo, mas, sim, de um reencontro. Para Marinalva, era como se aqueles laços já estivessem escritos muito antes daquele dia. “Coloquei eles no colo e a sensação era de que os nossos corações batiam no mesmo compasso. Senti o cheirinho da cabecinha deles e me pareceu tão familiar. Eram meus. Meus filhos, João Maurício e Manuela. João em homenagem a São João e Maurício que era o nome do pai do Diego. Manuela é uma homenagem ao meu pai, Manoel, que faleceu quando eu tinha quatro anos”, contou.                                                 Manuela e João Maurício   Professores da rede estadual e federal de ensino e moradores de Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio, os novos papais tiveram que se adaptar à rotina que veio repleta de descobertas e afetos. Cada gesto do cotidiano, como um sorriso, um choro ou um colo, passou a carregar um significado ainda mais profundo. “Estar com eles em casa é a minha maior realização. Comemoramos os mesversários, fizemos chá de fraldas e, recentemente, celebramos o primeiro ano de aniversário deles com o tema Circo, que veio como símbolo da nossa alegria”. Mais uma família presenteada com irmãs gêmeas Aproximadamente 1 a cada 80 a 100 gestações resulta em gêmeos, ou seja, de 1% a 1,5% do total. O que já é raro se torna ainda mais incomum quando se trata de adoção de gêmeos.  Assim como Marinalva, Adriana de Carvalho Ramos, de 44 anos, também foi presenteada, após seis anos de espera, com uma ligação, no ano passado, informando que duas irmãs gêmeas, de cerca de dois meses, estavam à sua espera. “Não consegui ter filhos biológicos, passei por três fertilizações in vitro que não vingaram. Em 2018, apresentamos a documentação na Vara de Infância e da Juventude e, no ano seguinte, fomos habilitados para entrar na fila da adoção. Desde o início, colocamos habilitação para duas crianças de até um ano, mas nunca imaginamos que seríamos agraciados com duas meninas gêmeas. Elas chegaram no dia 9 de dezembro, foi o nosso presente de Natal, o nosso milagre”, contou. As meninas hoje estão com sete meses e foram batizadas de Letícia e Elis. Adriana, que trabalhava com artesanato, atualmente se dedica integralmente à criação das filhas. Moradora de Inhaúma, também na Zona Norte, ela conta com o apoio da sogra, Maria Cristina, e do marido, Daniel Ramos da Costa, de 41 anos, que trabalha durante o dia, mas pide todas as tarefas quando retorna do serviço. “Foi uma mudança total na minha vida, mas eu não reclamo de nada. É cansativo e, ao mesmo tempo, uma delícia. Não quero perder nada no desenvolvimento delas, então, por aqui, a dedicação é total”. Adriana também vai comemorar o seu primeiro Dia das Mães, que ela diz “não parecer real”. A mãe de primeira viagem só lamenta não ter mais a sua mãe, falecida em 2023, para celebrar junto. Perguntada o que falaria para as mães que ainda aguardam na fila da adoção, Adriana é solidária e positiva. “Não percam as esperanças. Tem o perrengue, a angústia, a ansiedade, mas, no fim, tudo vale a pena e é só amor e alegria. Façam o máximo de registros possíveis porque passa muito rápido”, finalizou.  Programa “Entregar de forma legal é proteger” Histórias como a de Marinalva e Adriana reforçam a importância da adoção legal e de iniciativas que promovam o acolhimento responsável, garantindo que encontros como esses aconteçam de forma segura, humana e definitiva. As crianças chegaram às famílias por meio do “Entregar de forma legal é proteger”, programa da Coordenadoria Judiciária de Articulação das Varas da Infância, da Juventude e do Idoso (Cevij), do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que garante segurança jurídica e acolhimento tanto para os bebês quanto para os genitores que, por algum motivo, não desejam exercer a parentalidade, especialmente mulheres, que não querem maternar a criança após o seu nascimento. “A entrega protegida ainda é pouco conhecida. A pessoa que tem esse desejo pode procurar voluntariamente qualquer equipe da vara da infância mais próxima da sua residência e manifestar o desejo da entrega protegida, como ela pode também ir por meio da rede de proteção do sistema de garantia de direito, que vai encaminhá-la até a vara da infância mais próxima. Com isso, ela vai poder expressar o seu desejo, vai ser acolhida e, se for necessário, vai ser encaminhada para atendimento psicológico e assistencial. Depois do parto, ela pode ratificar ou não esse desejo. Caso ela mantenha a intenção da entrega protegida, ela vai passar por uma audiência e terá até dez dias de prazo para arrependimento para poder voltar atrás da decisão. Após esse período, a criança é encaminhada para uma família cadastrada no Sistema Nacional de Adoção”, explicou a psicóloga Erika Piedade da Silva, da 1ª Vara da Infância e da Juventude. Para presidente do Fórum Nacional de Justiça Protetiva (Fonajup) e titular da Vara de Família, da Infância, da Juventude e do Idoso da Comarca de Valença, juiz Daniel Konder de Almeida, o projeto se destaca ao zelar pelo cuidado com o recém-nascido e pela preocupação com o bem-estar de sua genitora.   “A gestante, em vez de se ver numa situação difícil de manter a gravidez e, às vezes, abandonar o filho em um terreno baldio, ou doar para uma pessoa desconhecida, inidônea, ou, até mesmo, praticar um ato de violência contra ela e contra a própria criança, que é um aborto, tem a oportunidade de buscar acolhimento na Vara da Infância e Juventude, fazer um pré-natal e ter todo o cuidado e amparo. Sabendo da sua incapacidade de talvez dar o melhor para aquela criança naquele momento, vai dar o melhor para ela entregando esse filho para a vara da infância e juventude, que será encaminhado para adoção. Então, isso deixa de ser visto como um abandono da mãe, mas um ato de amor”, explicou o magistrado.   Atualmente, 381 crianças e adolescentes estão disponíveis para adoção no estado do Rio de Janeiro. Em 2026, o programa “Entregar de forma legal é proteger” já recebeu 23 crianças e adolescentes para adoção. Clique neste link para mais informações sobre adoção. IA/PB* *Estagiário sob supervisão 
08/05/2026 (00:00)
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